Informação sobre doença de Alzheimer, causas, sintomas e tratamento de Alzheimer, identificando o seu diagnóstico, assim como da demência associada, com dicas que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida de doentes e familiares.


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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Alzheimer associado a mudanças no cérebro

Muitos especialistas acreditam que a doença de Alzheimer, como outras doenças crônicas comuns, se desenvolvem como resultado de múltiplos fatores, em vez de uma única causa. Na doença de Alzheimer, esses múltiplos fatores são uma variedade de mudanças cerebrais que podem começar 20 anos antes de os sintomas aparecerem. Cada vez mais, o tempo entre as mudanças cerebrais iniciais da doença de Alzheimer e os sintomas de Alzheimer avançado é considerado pelos cientistas, para representar a "continuidade" da doença de Alzheimer. No início deste processo contínuo, o indivíduo é capaz de funcionar normalmente, apesar destas alterações cerebrais. Mais tarde, o cérebro já não pode compensar o dano neuronal que ocorreu, e o indivíduo mostra declínio sutil na função cognitiva. Em alguns casos, os médicos identificam esse ponto no processo como MCI. Perto do fim deste processo continuo, o dano e morte de neurônios são tão significativos que o indivíduo mostra óbvio declínio cognitivo, incluindo sintomas como perda de memória ou confusão quanto ao tempo ou lugar. Neste momento, os médicos seguem os critérios de 1984 e as diretrizes para diagnosticar a doença de Alzheimer.
Um adulto saudável tem no cérebro 100 bilhões de neurônios, cada um com longas extensões de ramificação. Estas extensões permitem que os neurônios individualmente possam formar conexões com outros neurônios especializados. Nestas conexões, chamadas sinapses, os fluxos de informação em pequenos pulsos químicos liberados por um neurônio são detetados pelo neurônio receptor. O cérebro contém cerca de 100 trilhões de sinapses. Eles permitem que os sinais viajem rapidamente através de circuitos do cérebro, criando a base celular de memórias, pensamentos, sensações, emoções, movimentos e habilidades. Doença de Alzheimer interfere com o funcionamento adequado dos neurónios e sinapses.
Entre as modificações do cérebro, que se acredita contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, está a acumulação dos beta-amilóide da proteína do neurónios fora no cérebro (chamadas placas de beta-amilóide) e a acumulação de uma forma anormal de uma determinada proteína.
Na doença de Alzheimer, a transferência de informação em sinapses começa a falhar, o número de sinapses diminui, e eventualmente morrem os neurónios. Acredita-se que a acumulação de beta-amilóide possa interferir com a comunicação de neurónio para neurónio (nas sinapses) e possa contribuir para a morte celular. Emaranhados Tau bloqueiam o transporte de nutrientes e de outras moléculas essenciais para o neurónio e também se crê que contribuem para a morte celular.

domingo, 24 de agosto de 2014

Conhecendo a doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer foi identificada pela primeira vez há mais de 100 anos atrás, mas a pesquisa de seus sintomas, causas, fatores de risco e tratamento ganhou impulso somente nos últimos 30 anos. Embora a pesquisa tenha revelado muito sobre a doença de Alzheimer, as mudanças precisas no cérebro, que provocam o desenvolvimento da doença de Alzheimer, e a ordem em que elas ocorrem, em grande parte permanecem desconhecidas. As únicas exceções são algumas formas raras, herdadas da doença, causadas por mutações genéticas conhecidas.

Os sintomas da doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer afeta as pessoas de maneiras diferentes. O padrão de sintomas mais comum começa com uma capacidade para lembrar novas informações, que piora progressivamente. Isto ocorre porque os primeiros neurônios morrem e o mau funcionamento ocorre geralmente em neurônios situados nas regiões cerebrais envolvidas na formação de novas memórias.
Como os neurônios criam mau funcionamento do cérebro e morrem, os indivíduos experimentam outras dificuldades. A seguir, enumeramos os sintomas comuns da doença de Alzheimer:
• Perda de memória que perturba a vida diária.
• Desafios em problemas de planejamento.
• Dificuldade em completar tarefas familiares em casa, no trabalho ou em lazer.
• Confusão com o tempo ou lugar.
• Dificuldade para entender as imagens visuais e relações espaciais.
• Novos problemas com palavras ao falar ou escrever.
• Perder coisas e perder a capacidade de refazer os passos.
• Diminuição ou falta de bom senso.
• Retirada do trabalho ou atividades sociais.
• Alterações de humor e personalidade.

Indivíduos com progresso da doença de Alzheimer leve a moderado e grave, existem em taxas diferentes. Conforme a doença progride, as habilidades cognitivas e funcionais do indivíduo declinam. Em Alzheimer avançado, as pessoas precisam de ajuda com as atividades básicas de vida diária, tais como tomar banho, vestir, comer e usar o banheiro. Pacientes nos estágios finais da doença perdem a capacidade de comunicar, deixam de reconhecer os entes queridos e tornam-se dependentes de cuidados. Quando um indivíduo tem dificuldade em movimentar-se devido a doença de Alzheimer, são mais vulneráveis às infeções, incluindo pneumonia (infecção dos pulmões).
Pneumonia relacionada ao Alzheimer é muitas vezes um fator que contribui para a morte de pessoas com doença de Alzheimer.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Demência na doença de Alzheimer

Os médicos muitas vezes definem a demência associada a Alzheimer com base nos critérios estabelecidos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quarta edição (DSM-IV). Para atender os critérios do DSM-IV para a demência, são necessários alguns conhecimentos sobre a doença no paciente.:Os sintomas devem incluir redução na memória e em pelo menos uma das seguintes funções cognitivas:
1) Capacidade de falar coerentemente ou compreender a linguagem falada ou escrita.
2) Capacidade de reconhecer ou identificar objetos, assumindo a função sensorial intacta.
3) Capacidade de executar atividades motoras, assumindo habilidades motoras intactas e função sensorial, e compreensão da tarefa requerida.
4) Capacidade de pensar abstratamente, fazer julgamentos de som e planejar e realizar tarefas complexas.

Na demência associada a Alzheimer, o declínio da capacidade cognitiva deve ser grave o suficiente para interferir com a vida diária.
Para estabelecer um diagnóstico de demência associada a Alzheimer com o DSM-IV, um médico deve determinar a causa dos sintomas do indivíduo. Algumas doenças têm sintomas que mimetizam a demência, mas que, ao contrário de demência, podem ser revertidas com tratamento adequado. Uma análise de 39 artigos que descrevem 5.620 pessoas com sintomas de demência informou que 9 por cento tinham demência potencialmente reversível. As causas mais comuns de demência potencialmente reversíveis são depressão, delírio, efeitos colaterais de medicamentos, problemas de tireoide, certas deficiências de vitaminas e uso excessivo de álcool. Em contraste, a doença de Alzheimer e outras formas de demência são causadas por danos nos neurónios que não podem ser revertidos, com os tratamentos atuais.
Quando um indivíduo sofre de demência, o médico deve realizar testes para identificar a forma de demência que está causando os sintomas. Diferentes tipos de demência estão associadas com padrões de sintomas distintos e anomalias do cérebro. No entanto, cada vez mais, existem evidências de estudos empíricos e autópsia, que indicam que muitas pessoas que sofrem de demência, têm anormalidades cerebrais associadas com mais do que um tipo de demência. Isto é chamado de demência mista e é mais frequentemente encontrada em indivíduos de idade avançada.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Recomendações acerca da Doença de Alzheimer

1 A Organização Mundial de Saúde (OMS) deve declarar a demência como uma prioridade de saúde a nível mundial. 
2 Os governos nacionais devem declarar a demência como uma prioridade no âmbito da saúde e desenvolver estratégias nacionais que prestem serviços e apoio a pessoas com demência e às suas famílias. 
3 Os países de baixo e médio rendimento devem criar estratégias para a demência, centradas inicialmente em melhorar dos cuidados de saúde primários e outros serviços à comunidade.
4 Os países de rendimento elevado devem desenvolver planos de acção nacionais relativos à demência com atribuição de recursos. 
5 Devem desenvolver-se serviços que reflitam a natureza progressiva da demência.
6 Deve-se distribuir serviços tendo como objectivo principal alargar a cobertura e assegurar a equidade do acesso, de forma a beneficiar as pessoas qualquer que seja a sua idade, sexo, saúde, incapacidade, e quer residam em meio rural ou urbano. 
7 Deve-se fomentar a colaboração entre os governos, as pessoas com demência, seus cuidadores e associações Alzheimer e outras Organizações Não Governamentais e entidades profissionais de cuidados de saúde. 
8 Devem ser financiadas e ser realizadas mais investigações relativamente às causas da doença de Alzheimer e outras demências, tratamentos farmacológicos e psicológicos, e avaliar a prevalência e impacto da demência, e a prevenção da demência.

domingo, 15 de julho de 2012

Tratamento medicamentoso da doença de Alzheimer

O tratamento da doença de Alzheimer deve ser multidisciplinar, envolvendo os diversos sinais e sintomas da doença e suas peculiaridades de condutas.
O objetivo do tratamento medicamentoso é propiciar a estabilização do comprometimento cognitivo, do comportamento e da realização das atividades da vida diária (ou modificar as manifestações da doença), com um mínimo de efeitos adversos.
Desde a introdução do primeiro inibidor da acetilcolinesterase, os fármacos colinérgicos  donepezila, galantamina e rivastigmina são considerados os de primeira linha, estando todos eles recomendados para o tratamento da doença de Alzheimer leve a moderada.
O fundamento para o uso de fármacos colinérgicos recai no aumento da secreção ou no prolongamento da meia-vida da acetilcolina na fenda sináptica em áreas relevantes do cérebro. É sabido há muitos anos que a degeneração das vias colinérgicas cerebrais desencadeia algumas das manifestações da doença de Alzheimer avançada e, em particular, contribui para os deficits característicos da cognição. Diversas abordagens colinérgicas, como agonistas muscarínicos e nicotínicos e compostos para aumentar a liberação da acetilcolina, foram experimentadas como tratamento para a doença de Alzheimer, mas sem efeitos clínicos úteis. Alguns compostos foram muito efêmeros em seus efeitos terapêuticos, e um problema comum e previsível foi a incidência de efeitos adversos devido à ação colinérgica periférica.
Os inibidores da colinesterase, que retardam a degradação da acetilcolina naturalmente secretada, ofereceram um avanço mais significativo. Para serem úteis, tais fármacos devem cruzar a barreira hematoencefálica; para minimizar os efeitos adversos, devem inibir a degradação da acetilcolina a um menor grau no resto do corpo do que no cérebro. O primeiro dos inibidores a ser comercializado para o tratamento da doença de Alzheimer foi tacrina. Embora tenha se mostrado efetiva em ensaios clínicos, tem uma alta incidência de efeitos adversos potencialmente sérios, tendo já sido superada por fármacos mais novos.
A donepezila, rivastigmina e galantamina têm propriedades farmacológicas levemente diferentes, mas todas inibem a degradação da molécula de acetilcolina, o neurotransmissor classicamente associado à função de memória, por bloquear a enzima acetilcolinesterase. Ao contrário da donepezila, a rivastigmina inibe a butilcolinesterase e a acetilcolinesterase. A galantamina, além de inibir a acetilcolinesterase, tem atividade agonista nicotínica. A significância clínica destas diferenças ainda não foi estabelecida.
A donepezila tem meia-vida mais longa, sendo a administração feita 1 vez ao dia.
A doença de Alzheimer provoca comprometimento cognitivo, do comportamento e das atividades de vida diária, podendo ocasionar estresse ao cuidador. Estas alterações são o alvo do tratamento. O efeito comprovado destes medicamentos é o de modificar as manifestações da doença de Alzheimer.

Tratamento fisioterapêutico da doença de Alzheimer

O tratamento fisioterapêutico pode ser  realizado através da cinesioterapia e hidroterapia associado no padrão respiratório diafragmático. Para função cardiorrespiratória, caminhada todos os dias com acompanhante. Há outros exercícios que podem serem feitos como: Padrão diagonal do Kabat para tronco; Pegar na parte do chão; Frenkel – marcha para frente, para trás, com resistência e o ponto  chave quadril para facilitar o movimento; Andar sobre uma linha; Frenkel – marcha com marcadores colorido no chão, associado a coordenação, equilíbrio cognitivo; Trabalhar cognitivo, coordenação e movimentos finos: o paciente diante de uma mesa com vários objetos, onde o terapeuta mostra os objetos para que o paciente diga o nome; Depois o terapeuta seleciona alguns objetos e pede para que o paciente pegue o objeto com a mão dominante,  realizando movimentos funcionais; Mobilização passiva em todas as articulações; O terapeuta coloca os fantoches na frente do paciente e pede para que ele pegue os mesmos. Para estimular os movimentos, podemos usar vários recursos entre eles, o tapping, gelo, etc.;  
Para pacientes que só conseguem ficar deitados o terapeuta utiliza o método Kabat através dos padrões agonistas e antagonistas primitivos, associados com o tapping e outro estímulo propioceptivo. Esse movimento pode ser realizado com a ajuda de objetos colocados na mão do paciente, estimulando assim o feedback visual. O terapeuta deve dizer para que o paciente flexione e estenda uma perna deslizando o  calcanhar por baixo sobre uma linha reta no colchão; O paciente abduz e aduz o quadril homogeneamente com  o joelho estendido; O paciente na fase final, em decúbito dorsal pode ser colocado na prancha ortostática; Realizar as mobilizações passivas, em todas articulações, na prancha ortostática; Nesse estágio, como fica confinado ao leito, o terapeuta deve colocar o paciente em decúbito lateral e sempre deve trabalhar o padrão extensor já que ele tem  tendência a flexão; No caso do paciente se encontrar espástico e não for funcional, deve se utilizar órteses, usadas de acordo com o estado e situação do paciente.  
Na última fase o paciente deve ser acompanhado por atendimento de fisioterapia respiratória, devido a grande incidência de distúrbios respiratórios como principalmente, pneumonia. 

Efeitos adversos de Rivastigmina no tratamento da doença de Alzheimer

Os efeitos mais comuns são tontura, cefaleia, náusea, vômito, diarreia, anorexia, fadiga, insônia, confusão e dor abdominal. Menos comumente podem ocorrer depressão, ansiedade, sonolência, alucinações, síncope, hipertensão, dispepsia, constipação, flatulência, perda de peso, infecção do trato urinário, fraqueza, tremor, angina, úlcera gástrica ou duodenal e erupções cutâneas.
Os agentes anticolinérgicos podem reduzir seus efeitos. Outras interações significativas não foram observadas.
Rivastigmina deve ser usada com precaução em pacientes com úlcera péptica, história de convulsão, alterações da condução cardíaca e asma.

Efeitos adversos de Galantamina no tratamento da doença de Alzheimer

Os efeitos adversos mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia, anorexia, perda de peso, dor abdominal, dispepsia, flatulência, tontura, cefaleia, depressão, fadiga, insônia, sonolência. Menos comuns são infecção do trato urinário, hematúria, incontinência, anemia, tremor, rinite e aumento da fosfatase alcalina. Devem ser monitorizadas as funções renal (creatinina) e hepática (ALT/AST).
Succinilcolina aumenta o bloqueio neuromuscular. Agentes colinérgicos podem apresentar efeitos sinérgicos. Inibidores centrais da acetilcolinesterase podem aumentar o risco de sintomas piramidais relacionados aos antipsicóticos.
Galantamina deve ser usada com cautela em pacientes com atraso da condução cardíaca ou em uso de fármacos que atrasam a condução no nodo AS ou AV, com história de úlcera péptica, convulsão, doenças respiratórias graves e obstrução urinária.

Efeitos adversos de Donepezila no tratamento da doença de Alzheimer

Os efeitos adversos mais comuns são insônia, náusea, vômito, diarreia, anorexia, dispepsia, cãibras musculares, fadiga. Menos comumente podem ocorrer cefaleia, sonolência, tontura, depressão, perda de peso, sonhos anormais, aumento da frequência urinária, síncope, bradicardia, artrite e equimoses.
Como a  donepezila é metabolizada por enzimas hepáticas, a taxa do metabolismo pode ser aumentada por medicamentos que elevam a quantidade destas enzimas, como carbamazepina, dexametasona, fenobarbital, fenitoína e rifampicina. Ao aumentar sua eliminação, estes fármacos podem reduzir os efeitos da  donepezila. 
Cetoconazol mostrou bloquear as enzimas hepáticas que metabolizam donepezila. Desta forma, o uso concomitante de cetoconazol e donepezila pode resultar no aumento das concentrações de  donepezila e, possivelmente, levar à maior ocorrência de efeitos adversos. Quinidina também demonstrou inibir as enzimas que metabolizam donepezilae podem piorar o perfil de efeitos adversos.
Donepezila deve ser usada com cautela em indivíduos com anormalidades supraventriculares da condução cardíaca ou naqueles em uso de fármacos que reduzam significativamente a frequência cardíaca, com história de convulsão de asma ou DPOC e com risco de úlcera.

Demência da doença de Alzheimer provável

Demência da doença de Alzheimer provável preenche critérios para demência e tem adicionalmente as seguintes características:

1. Início insidioso (meses ou anos).
2. História clara ou observação de piora cognitiva.
3. Déficits cognitivos iniciais e mais proeminentes em uma das seguintes categorias:
  • Apresentação amnéstica (deve haver outro domínio afetado).
  • Apresentação não-amnéstica (deve haver outro domínio afetado).
  • Linguagem (lembranças de palavras).
  • Visual-espacial (cognição espacial, agnosia para objetos ou faces, simultaneoagnosia, e alexia).
  • Funções executivas (alteração do raciocínio, julgamento e solução de problemas).
4. Tomografia ou, preferencialmente, ressonância magnética do crânio deve ser realizada para excluir outras possibilidades diagnósticas ou co-morbidades, principalmente a doença vascular cerebral.
5. O diagnóstico de demência da DA provável não deve ser aplicado quando houver:
  • Evidência de doença cerebrovascular importante definida por historia de AVC temporalmente relacionada ao início ou piora do comprometimento cognitivo; ou presença de infartos múltiplos ou extensos; ou lesões acentuadas na substância branca evidenciadas por exames de neuroimagem; ou
  • Características centrais de demência com corpos de Lewy (alucinações visuais, parkinsonismo e flutuação cognitiva); ou  Características proeminentes da variante comportamental da demência frontotemporal (hiperoralidade, hipersexualidade, perseveração); ou
  • Características proeminentes de afasia progressiva primária manifestando-se como a variante semântica (também chamada demência semântica, com discurso fluente, anomia e dificuldades de memória semântica) ou como a variante não-fluente, com agramatismo importante; ou
  • Evidência de outra doença concomitante e ativa, neurológica ou não-neurológica, ou de uso de medicação que pode ter efeito substancial sobre a cognição.
Os seguintes itens, quando presentes, aumentam o grau  de confiabilidade do diagnóstico clínico da demência da  doença de Alzheimer provável:
  • Evidência de declínio cognitivo progressivo, constatado em avaliações sucessivas;
  • Comprovação da presença de mutação genética causadora de doença de Alzheimer (genes da APP e presenilinas 1 e 2);
  • Positividade de biomarcadores que reflitam o processo patogênico da doença de Alzheimer (marcadores moleculares através de PET ou líquor; ou neuroimagem estrutural e funcional).

Diagnóstico de demência da doença de Alzheimer possível

O diagnóstico de demência da doença de Alzheimer possível deve ser feito quando o paciente preenche os critérios diagnósticos clínicos para demência da doença de Alzheimer, porém apresenta alguma das circunstâncias abaixo:
  • Curso atípico: início abrupto e/ou padrão evolutivo distinto daquele observado usualmente, isto é lentamente progressivo;
  • Apresentação mista: tem evidência de outras etiologias conforme detalhado nos critérios de demência da doença de Alzheimer provável (doença cerebrovascular concomitante; características de demência com corpos de Lewy; outra doença neurológica ou uma co-morbidade nãoneurológica ou uso de medicação as quais possam ter efeito substancial sobre a cognição);
  • Detalhes de história insuficientes sobre instalação e evolução da doença.

Fatores de Impacto nos familiares que cuidam de portadores da doença de Alzheimer

O primeiro fator a ser considerado é o posicionamento da família diante da doença. Assim como a doença passa por vários estágios, a família passa por diferentes etapas. A princípio, a família não sabe o que está acontecendo diante das manifestações de déficit do paciente, gerando sentimentos de hostilidade e irritação. Do outro lado, o paciente pode perceber as próprias deficiências, correndo o risco de deprimir-se. À medida que a doença vai evoluindo, ocorre a busca por um diagnóstico, porém, nem sempre os familiares o aceitam rapidamente, podendo negá-lo, na tentativa de recuperar a “pessoa de antes”.
Após a aceitação do diagnóstico, pode haver uma sensação de catástrofe. As famílias reagirão de maneiras diferentes, dependendo das próprias características (Goldfarb & Lopes, 1996). Podem ocorrer três posicionamentos indesejáveis entre os familiares: superproteção, evasão da realidade e expectativas exageradas com relação ao desempenho do paciente (Câmara et al.,1998). Os parentes que fazem evasão da realidade, ou seja, negam a doença, são geralmente os que mais sofrem; já os que assumem a função de cuidador tendem a monopolizar a função, colocando-se na posição de serem os únicos a fazer as coisas e abdicam de qualquer atividade que represente uma satisfação pessoal, acabando “heroicamente estressados” (Goldfarb & Lopes, 1996). Quando o paciente não reconhece mais seus familiares há um primeiro luto para a família, devido à “morte social do paciente”. O segundo luto ocorre com a morte biológica do ente querido (Goldfarb & Lopes, 1996).
Há situações nas quais a família não tem condições de cuidar do paciente e recorre à ajuda de uma pessoa, profissional ou não, que será remunerada para exercer o papel. Neste contexto entram em cena os cuidadores formais, sujeitos a passar por diversos conflitos com a família do paciente, podendo ser objeto de projeção de culpas e frustrações que não podem ser aceitas na família. Diante desta situação é recomendável que o cuidador formal seja discreto, passe por uma reciclagem de conhecimentos e possa conversar sobre as ansiedades das quais é portador (Goldfarb & Lopes, 1996).
Uma característica do paciente com doença de Alzheimer é a necessidade de supervisão crescente, originando fatores de estresse para o cuidador. Pearlin (1990),
citado por Engelhardt et al. (2005) sugere alguns estressores primários para os cuidadores, dividindo-os em subjetivos e objetivos. Os estressores objetivos vão se modificando ao longo da evolução da doença de Alzheimer e incluem nível de dependência em AVDs e presença de distúrbios do comportamento. Os estressores subjetivos correspondem ao modo pelo qual os estressores objetivos são experimentados pelo cuidador. Estes dois estressores podem levar a conflitos familiares, problemas econômicos e a uma sensação de aprisionamento no papel de cuidador.

Manual para cuidadores de portadores da doença de Alzemier

Existe um manual elaborado por Márcio F. Borges - médico geriatra e coordenador da Sub-regional da ABRAz Juiz de Fora - MG.
Desde 1997, trabalha com familiares e cuidadores de idosos com demências, pela Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), na cidade de Juiz de Fora - MG. A cada mês, um tema relevante ao cuidado desta doença é proposto, com palestras feitas por especialistas, dinâmicas de grupo e trocas de experiências. Todos os assuntos citados neste manual foram discutidos pelo grupo, o que muito enriquece este material. Também destacamos que várias informações citadas foram fornecidas por estudiosos de várias interfaces da gerontologia. 
Não podemos esquecer da palavra sempre clara e presente da ALZHEIMER DISEASE INTERNACIONAL e da nossa ABRAz, vitais para evitar informações distorcidas e expectativas frustrantes.
A primeira parte do manual esclarece sobre os principais conceitos acerca do assunto, tais como, demência, Alzheimer, diagnóstico e tratamento, tipos de demência e atualidades. Já na segunda parte, a alma do manual, serão apresentados os vários aspectos do cuidado ao idoso com demência. Na terceira e última parte, haverá uma variedade de temas correlatos, enfocando desde problemas de ordem legal até a melhor maneira de se escolher uma possível instituição para idosos. 
Conheça o manual, e aprenda a cuidar de familiar ou amigos portadores da doença de Alzheimer.

Acesse este link:

Cura da doença de Alzheimer

Embora não haja cura para doença de Alzheimer, a descoberta de que é caracterizada por  deficit colinérgico resultou no desenvolvimento de tratamentos medicamentosos que aliviam os  sintomas e, assim, no contexto de alguns países onde esta questão é extremamente relevante, retardam a transferência de idosos para clínicas (nursing homes). 
Inibidores da acetilcolinesterase são a principal linha de tratamento da doença de Alzheimer. Tratamento de curto prazo com estes agentes tem mostrado melhora da cognição e de outros sintomas nos pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada.

sábado, 14 de julho de 2012

Comorbidades psiquiátrica frequentes na doença de Alzheimer

Tomando-se como critério as definições clássicas para o diagnóstico de transtornos psiquiátricos, as comorbidades mais frequentes nos indivíduos com doença de Alzheimer são os transtornos de humor e de ansiedade. Em estudos transversais de prevalência, a proporção de pacientes com doença de Alzheimer que preencheu critérios para depressão variou de 1,5% a 26%, enquanto a prevalência de ansiedade generalizada variou entre 5% e 15%.
A grande variabilidade observada, além de refletir a seleção de diferentes populações e instrumentos, levanta questionamentos sobre a validade dos critérios diagnósticos gerais quando aplicados ao contexto específico do indivíduo com DA. Assim, há uma tendência cada vez maior de adaptar os critérios diagnósticos para as particularidades psicopatológicas do paciente com doença de Alzheimer.
Ainda nesse sentido, tem sido comum o uso de instrumentos para detectar e quantificar os sintomas neuropsiquiátricos, como o Inventário Neuropsiquiátrico.  Nos cuidadores de pacientes com doença de Alzheimer, há pelo menos um sintoma neuropsiquiátrico em 78% dos casos. Os sintomas mais comuns foram apatia (53%), depressão (38%), distúrbio do sono (38%) e ansiedade (25%).

Recomendação
Observar a associação frequente entre doença de Alzheimer com comorbidades psiquiátricas, principalmente os transtornos de humor e de ansiedade; a prevalência de depressão variou de 1,5 a 26%, enquanto que a ansiedade generalizada variou entre 5% e 15%. Para detectar e quantificar os sintomas neuropsiquiátricos normalmente utiliza-se o Inventário Neuropsiquiátrico.

Neuropatologia da doença de Alzheimer

doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se caracteriza, do ponto de vista macroscópico, por atrofia predominantemente cortical, mais acentuada no lobo temporal, principalmente na formação hipocampal.
As áreas corticais límbicas, paralímbicas e do córtex de associação são mais comprometidas desde o início.
Do ponto de vista microscópico, há redução do número de neurônios e de sinapses, e duas alterações que marcam a doença: as placas senis e os emaranhados neurofibrilares (ENF).

Relação entre a doença de Alzheimer e altos níveis de colesterol

Um estudo epidemiológico demonstrou a relação direta entre altos níveis de colesterol sangüíneo e o aumento de risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer. Existem muitas evidências sugerindo uma forte relação entre a deterioração da homeostase lipídica cerebral, as alterações vasculares e a patogenia da doença de Alzheimer. Essas associações incluem, reconhecimento de que um transportador do colesterol, a apoE4, atuou como o principal fator de risco genético para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, tanto na forma familiar quanto na esporádica; estudos epidemiológicos ligando os fatores de risco, como a hipertensão e altos níveis plasmáticos de colesterol, à demência; e o efeito benéfico das drogas redutoras do colesterol, como as estatinas, no combate à doença de Alzheimer idiopática. Evidências obtidas a partir de um estudo realizado em humanos indicaram que o tratamento à base de estatinas - lovastatina (Mevacor®), sinvastatina (Zocor®), atorvastatina (Citalor®) e pravastatina (Pravacol®) - conferiu proteção contra a forma esporádica da doença. Outros estudos indicaram que o colesterol foi capaz de regular o processo proteolítico da APP, favorecendo a formação da substância Aβ, ao passo que uma redução dos níveis plasmáticos do colesterol foi capaz de reduzir a formação amiloidal.

Diagnóstico clinico da doença de Alzheimer

O diagnóstico da doença de Alzheimer é de exclusão. O rastreamento inicial deve incluir avaliação de depressão e exames de laboratório com ênfase especial na função da tireoide e níveis séricos de vitamina B12. O diagnóstico de doença de Alzheimer no paciente que apresenta problemas de memória é baseado na identificação das modificações cognitivas específicas, como descrito nos critérios do National Institute of Neurologic and Communicative Disorders and Stroke and the Alzheimer Disease  and Related Disorders Association (NINCDSADRDA).
Exames físico e neurológico cuidadosos acompanhados de avaliação do estado mental para identificar os  deficits de memória, de linguagem e visoespaciais devem ser realizados. Outros sintomas cognitivos e não cognitivos são fundamentais na avaliação do paciente com suspeita de demência. 

Prevenção da doença de Alzheimer

Atualmente, não há nenhuma maneira conhecida de prevenir a doença de Alzheimer. No entanto, pesquisadores estão trabalhando arduamente para descobrir o que mantém a doença sob controle.
Embora estes achados sejam preliminares, há algumas possibilidades promissoras:

Manter o coração e os vasos sanguíneos saudáveis
A doença de Alzheimer é uma forma de demência. Evidências crescentes mostram que demência e doença dos vasos sanguíneos podem estar relacionadas. Manter o coração e os vasos sanguíneos saudáveis, por exemplo, mantendo os níveis de colesterol e pressão sanguínea baixos também pode reduzir o risco da doença de Alzheimer.

Permanecer mentalmente em forma
Alguns pesquisadores acham que exercícios mentais durante toda a vida (como ler, resolver problemas de matemática, fazer palavras cruzadas) podem reduzir o risco da doença de Alzheimer ou retardar seu início. Exercícios mentais podem funcionar por ajudarem a criar novas conexões entre os neurônios.

Sintomas da demência assocciada à doença de Alzheimer

Os sintomas da demência implicam, normalmente, numa deterioração gradual e lenta da capacidade da pessoa para se comandar ou se estabelecer em pleno funcionamento, estabelecendo um quadro crônico em que não há melhora. O dano cerebral afeta o funcionamento mental da pessoa (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, etc.) e isto, por sua vez, repercute-se no comportamento. A maior parte das pessoas morre devido a "complicações", tais como pneumonia.  
Sendo a cognição um constructo que tem por objetivo a adaptação satisfatória em situações específicas e em tarefas situacionais, que mudam através do ciclo vital, é preciso saber como se caracterizam estas mudanças. Então, é necessário identificar se estas mudanças constituem as alterações normais esperadas durante o envelhecimento ou se demonstram um processo provindo da patologia.
Índice dos artigos relativos a Alzheimer